Dor, azia ou pressão alta? O que parece aliviar pode estar sobrecarregando seu coração. Leia antes que seja tarde.
Milhões de pessoas com mais de 60 anos confiam diariamente em medicamentos para aliviar dores, azia, congestão nasal, alterações de humor ou fortalecer os ossos. Por serem usados há décadas, muitos acreditam que são totalmente seguros.
Mas você já parou para pensar se esses remédios “inofensivos” podem estar silenciosamente sobrecarregando o seu coração?
Com o envelhecimento, os vasos sanguíneos tornam-se mais rígidos, o fígado e os rins metabolizam substâncias mais lentamente e o uso simultâneo de vários medicamentos é comum. Esse conjunto de fatores pode aumentar discretamente a pressão arterial, alterar o ritmo cardíaco ou favorecer riscos que só aparecem em exames de rotina.
A boa notícia? Com informação e uma conversa simples com o seu médico, muitas dessas situações podem ser ajustadas com segurança. Continue lendo até o fim — seu coração pode agradecer.

Por que os riscos aumentam após os 60?
Com a idade, o corpo elimina medicamentos de forma menos eficiente. Pequenos efeitos colaterais que antes passavam despercebidos podem se acumular. Além disso, a combinação de diferentes remédios pode potencializar impactos cardiovasculares.
Estudos observacionais e grandes revisões científicas já apontaram alertas para algumas classes amplamente utilizadas, principalmente quando usadas em doses elevadas ou por longos períodos. Felizmente, muitas vezes é possível ajustar doses, substituir opções ou adotar mudanças no estilo de vida sem perder os benefícios do tratamento.
Veja agora as cinco categorias mais citadas.
5. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)
Exemplos comuns: ibuprofeno e naproxeno.
Muito utilizados para artrite, dores musculares e lombares.
Uso frequente ou em altas doses pode causar retenção de líquidos e elevar a pressão arterial, exigindo maior esforço do coração. O risco de infarto ou AVC pode aumentar especialmente em pessoas com fatores de risco cardiovasculares.
Alternativas possíveis:
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Paracetamol (sob orientação médica)
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Anti-inflamatórios tópicos
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Fisioterapia, alongamentos e exercícios leves
4. Inibidores da bomba de prótons (IBPs)
Exemplos: omeprazol e esomeprazol.
Eficazes para refluxo e gastrite.
O uso prolongado pode estar associado à redução de magnésio no sangue, o que pode influenciar o ritmo cardíaco. Alguns estudos também sugerem possível associação com eventos cardiovasculares em determinados grupos.
Dica importante: utilizar a menor dose eficaz pelo menor tempo necessário.
Mudanças simples como evitar refeições noturnas pesadas, reduzir alimentos ácidos e elevar a cabeceira da cama podem diminuir a dependência desses medicamentos.
3. Descongestionantes orais
Exemplo: pseudoefedrina.
Atuam contraindo vasos sanguíneos para aliviar a congestão nasal.
Esse mesmo efeito pode aumentar a pressão arterial e a frequência cardíaca — especialmente preocupante em quem já tem hipertensão ou doença cardíaca.
Alternativas mais seguras:
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Solução salina nasal
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Lavagem nasal
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Sprays nasais com corticoide (sob orientação médica)
2. Antidepressivos tricíclicos
Exemplo: amitriptilina.
Ainda utilizados para dor crônica, problemas nervosos e depressão.
Podem interferir nos sinais elétricos do coração e aumentar o risco de arritmias, principalmente em doses altas ou em pessoas com histórico cardíaco.
Opções mais modernas (como ISRS ou ISRN) geralmente apresentam menor impacto cardiovascular, mas a avaliação deve ser individualizada.
1. Suplementos de cálcio
Muitos adultos acima de 60 anos utilizam para prevenir osteoporose.
Algumas análises científicas levantaram questionamentos sobre o uso de altas doses em forma de suplemento, sugerindo possível contribuição para calcificação arterial. Já o cálcio proveniente dos alimentos parece ter menor risco.
Priorize:
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Laticínios
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Vegetais verde-escuros
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Alimentos fortificados
Use suplementos apenas quando necessário e sob supervisão médica.
O que você pode fazer agora
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Faça uma lista completa de todos os medicamentos e suplementos que utiliza.
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Agende uma revisão medicamentosa com seu médico ou farmacêutico.
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Pergunte diretamente sobre possíveis riscos cardiovasculares no seu caso.
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Monitore pressão arterial e relate sintomas como inchaço, palpitações, cansaço incomum ou falta de ar.
Pequenos ajustes podem reduzir riscos sem comprometer seu tratamento.
Considerações finais
Conhecimento é proteção. Entender como certos medicamentos podem afetar o coração após os 60 anos permite decisões mais conscientes e seguras.
Não interrompa nenhum tratamento por conta própria. Converse com seu profissional de saúde e avalie alternativas quando necessário.
Cuidar do coração é um compromisso diário — e começa com informação.
Perguntas Frequentes
Posso parar o medicamento sozinho?
Não. A interrupção abrupta pode causar efeitos rebote ou agravamento dos sintomas. Sempre consulte seu médico.
O risco é igual para todos acima de 60 anos?
Não. Depende do histórico de saúde, outras medicações e condições individuais.
Uso ocasional também é perigoso?
Em geral, o uso eventual apresenta menor risco, mas o uso frequente ou prolongado deve ser discutido com um profissional.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação médica profissional. Sempre consulte seu médico sobre qualquer dúvida relacionada à sua saúde cardíaca.